The Edge
The Edge
DAVID HOWELL EVANS
BARKING (LONDRES), INGLATERRA
8 DE AGOSTO DE 1961
GUITARRA, PIANO E VOCAL DE APOIO

Segundo Bono, The Edge é o gênio da banda. Um guitarrista que criou seu estilo único de criar músicas e que foge do clichê com uma versatilidade surpreendente. A verdadeira antítese de um “guitar-hero” moderno que vê na velocidade a parte mais importante; Edge foca-se na elaboração das melodias de forma ímpar. Tal fato foi reconhecido pela revista Rolling Stone, que já o classificou como o 24° melhor guitarrista de todos os tempos. Edge também aparece na lista da Rolling Stone da Espanha, na lista dos “10 melhores solos de guitarra da história”.

“Temos um guitarrista que não estará pronto para retornar à atmosfera da Terra até que corte um pedaço da lua.” – Bono sobre The Edge.

Nascimento, infância e adolescência

Filho de Gwenda e Garvin Evans, David Howell Evans nasceu no dia 8 de agosto de 1961, em East London (Barking, Essex), no Reino Unido. Sua família iria para a Irlanda um ano depois. Já em Malahide, ao norte de Dublin, Gwenda se tornaria amiga de Jo, a mãe de Adam Clayton. Dave era um garoto solitário e tímido durante o período escolar, sem nenhum interesse por música. Tal fato mudaria quando Richard Dick, seu irmão mais velho, ganhara uma guitarra acústica de Gwenda. Dave entraria para aulas do instrumento, assim como para aulas de piano. Após algum tempo os dois irmãos começaram a praticar guitarra juntos, e suas primeiras músicas treinadas eram canções dos Beatles. Após ler o anúncio de Larry em Comprehensive Mount Temple School à procura de músicos para formar uma banda, ambos se apresentaram para o primeiro ensaio do U2 (até então, “Feedback”). Após algum tempo Dick sairia da banda para se juntar aos Virgin Prunes.

“The Edge poderia ter sido um cosmólogo… Onde estaríamos sem ele?” – Bono.

O apelido viria de Bono. Ambos faziam parte do grupo Lypyon Village, e era costume dos garotos de lá apelidarem-se uns aos outros, de alguma forma que o novo “nome” representa-se algo marcante da personalidade atual de cada um deles. “The Edge” surgiu tanto pelas curvas de seu rosto quanto pela forma com que o guitarrista “observa as coisas em seu extremo”. “Edge vai até o limite da criação,” declarou Bono.

No começo, a banda baseava-se a fazer covers de artistas como Rory Gallagher e Tom Verlaine, assim como também tocavam canções dos The Sex Pistols e The Moody Blues. Não se saíam muito bem dessa forma, e então foram obrigados a criar suas próprias músicas. Deste modo, The Edge começou a desenvolver um estilo único de tocar guitarra, descrito por ele mesmo como sendo “fazer o trabalho de dois”.

“Todo álbum é difícil de ser criado. Se fosse fácil, faríamos um por mês”.

No fim do período escolar, o guitarrista se viu em um conflito interno. Tinha dúvidas quanto ao que optaria por fazer: ir para a faculdade – onde tornar-se-ia médico ou engenheiro -, ou seguir com a carreira musical? Apesar do interesse acadêmico, o comprometimento com a banda já estava firmado, fazendo-o dizer aos pais que continuaria com ela por mais um ano, para ver o que aconteceria.

A fé e a música

Com a questão anterior resolvida, The Edge, durante o período entre “Boy” e “October”, ficou dividido entre sua fé e a música. Edge, juntamente com Larry e Bono, era membro da “Shalom Christian Fellowship”. Temia que o sucesso com a banda fizesse-o ter um estilo de vida comum aos astros do rock, pois isso iria contra os princípios de sua crença no cristianismo. Por isso, durante a October Tour, quase saiu definitivamente da banda. Bono dissera-lhe para seguir o coração. Edge viria a perceber que sua estadia na banda não atrapalharia sua fé, caso ele próprio não quisesse, e com isso manteve as duas opções consigo.

“Começar uma banda é a parte fácil. Uma vez com ela formada, você tem que contar uma história, e essa história requer músicas. E não apenas boas músicas, mas ótimas músicas. Depois de um tempo, ótimas músicas não funcionam – elas precisam ser as melhores. O sucesso não torna isso mais fácil. Toda vez que começo uma nova gravação, é uma nova procura.” – The Edge em entrevista para a GuitarWorld.

“Assim como um comediante não quer contar a mesma piada todas as vezes, nós não queremos ficar fazendo o mesmo tipo de música. Em contrapartida, já alcançamos um posto confortável onde podemos admitir que temos nosso próprio estilo musical e podemos fazer o que quiser com isso. É o nosso som.”

Vida pessoal

Em 1983, The Edge se casaria com Aislinn O’Sullivan , com quem viria a ter três filhas – Hollie, Arun e Blue Angel. Em 1990 os dois se separaram, mas, devido a leis irlandesas da época, o divórcio oficial só aconteceria seis anos mais tarde. Tal período difícil para o guitarrista já foi citado como um dos motivos pelos quais a gravação de “Achtung Baby” fora tão difícil. Não obstante, para a composição de algumas músicas – entre elas, “So Cruel” e “Love is Blindness” – Bono se influenciou no rompimento do casal.

E foi durante a turnê de divulgação do álbum de 1991 que The Edge começaria uma relação com Morleigh Steinberg, coreógrafa, e uma das dançarinas de “Mysterious Ways” na Zoo TV Tour. Com ela, teria mais uma filha, Sian, em 1997, e um filho, Levi, dois anos mais tarde. Em junho de 2002 Edge se casaria pela segunda vez.

Projetos

Em 2005, se aprofundou em causas humanitárias e foi co-fundador, ao lado de Bob Ezrin e do proprietário da marca “Gibson”, Henry Juszkiewicz, da fundação de caridade Music Rising. A ação ocorreu em resposta ao furacão Katrina, que devastara New Orleans meses antes. Todos os instrumentos musicais de igrejas, escolas e músicos profissionais, perdidos ao longo da Costa do Golfo devido à tragédia, foram substituídos. O tema de Music Rising era “Reconstruir a região do Golfo nota por nota”. The Edge também age em suporte das organizações New York Food Band e Mencap Northern Ireland.

Com Bono, em 2007, trabalhou no musical da Broadway “Spiderman: Turn Off The Dark”. Os dois foram compositores de grande parte da trilha sonora. O musical viria a se tornar o mais caro já feito pela Broadway – o custo ultrapassaria os 70 milhões de dólares. Certas vezes, a arrecadação era de 1 milhão por semana, segundo o Wall Street Journal.

No ano seguinte gravou o documentário “It Might Get Loud” ao lado de Jimmy Page e Jack White.

“Ele é um raro e verdadeiro guitarrista original e um dos mais sutis ‘guitar heroes’ de todos os tempos… Existe apenas um punhado de guitarristas que conseguem criar um mundo com seus instrumentos, e ele é um desses… O modo dele tocar cria um espaço enorme e um vasto panorama. É um som sedutor e de tirar o fôlego que chega até você como um céu inconstante. É inerentemente espiritual. É uma graça divina e um presente.” – Bruce Springsteen durante a indução do U2 no Rock and Roll Hall of Fame.

Além de guitarrista, Edge já emprestou a voz no estúdio para algumas canções, como “Seconds” e “Last Night On Earth” (no dia da gravação final Bono estava sem voz e The Edge precisou ajudar no refrão), e foi vocalista em “Van Diemen’s Land” e “Numb”. Durante a Popmart, foi responsável de uma versão solo de “Sunday Bloody Sunday”.

Criador da trilha sonora do filme Captive (“Captive – Original Soundtrack”) de 1987, do sétimo melhor solo de guitarra de todos os tempos (“Bullet The Blue Sky”, segundo a Rolling Stone da Espanha), e de riffs marcantes, The Edge surpreende com seu som hipnotizador.

Bono, durante as apresentações da turnê iNNOCENCE + eXPERIENCE, costuma apresentar a banda da seguinte forma: “Na bateria, Larry Mullen Jr. No baixo, Adam Clayton. Na guitarra, e em todo o resto, “The Edge”.